quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entruido Galego vs. Carnaval Mediterrâneo

“...O Antroido no último tercio do século dezanove amostra-se mais pulido, mais agasalhante e mais cortés [...] nom se fam Barbas co cainzo das chemineas, fam-se com farinha entre as xentes da vila, e com po de arroz entre os mais repinicados...”

Com estas verbas arranca um dos responsos do “Tio Marcos da portela- 1876” falando do que estava a acontecer há século e meio na Galiza; que nom é outra cousa que a deturpaçóm e desapariçóm do entruido proprio dando chanzas a introduçóm do “carnaval Mediterráneo” que nos dilúe culturalmente um bocado mais na Espanha.
Um Auténtico "heroe" luitando pelas
suas convicções...
A deturpaçóm da nossa cultura a través da aculturizaçóm nom é nada novo, e no anterior artigo “que viva o Entruido” já vimos quais foram os culpaveis disto; mais nom debemos esquezer que é o povo o que garante a pervivencia da nossa cultura, e polo tanto nós mesmos somos culpaveis desta situaçóm.
Passamos de dar festexo o que vinha sendo “umha intriducçóm na primavera” (de ahí Intrudio na área de A Gudinha e Antrodido Anturuido Antrodio Entrodio Entruido Entrudo em outras áreas do país e também de Portugal) a fazer umha festa de disfrazes  de personagens tirados de filmes dos U.S.A. para a semana seguinte do Entruido voltar a dizer que somos antiglobalizaçóm e anti-imperialistas quando nós mesmos o practicamos a globalizaçom e o imperialismo sobre nós mesmos e a nossa propria cultura... ASSIM CUM PAR DE COLHÕES/OVARIOS... E pior o ponhemos quando falamos de “comeflores”  ou os supostos apatridas “ciudadanos del mundo” (que na maioría dos casas resultam ser uns espanholazos) que disfrazados de arlequins, palhasos tristes ou “piratasdelcaribe” (sim, assim todo junto: piratasdelcaribe) vam criticando a todo aquel que vaia disfrazado de Velhote ou travestid@, sendo a época do Entruido o momento ideal para o intercambio de roles e a práctica e normalizaçóm da sexualidade livre; termos que hoje estám muto a moda mais que carecem de vigencia.
...E por suposto, nom se iam ficar ceivas de culpabilidade as instituções que pasarom de perseguir o Entruido (régimes totalitarios e a igreja) a favorecer a sua deturpaçóm favorecendo que se diluam dentro do conceito do modelo de “Carnaval Espanhol”.
Embora também podemos atopar muitas iniciativas a través das associações culturais que luitam por preservar este bem patrimonial. Em destaque falamos do ejemplo da Revolta em Vigo, que conseguiu trazer a vida de novo o “merdeiro” (http://agal-gz.org/blogues/index.php/revolta/2003/03/14/videoteca-entrudo)
assim coma outras (nalgum dos casos associações de vizinhos) que mantenhem em pé decenas de entruidos particulares de cada zona coma por exemplo a  A.V. de Salcedo (http://www.ensalcedo.org/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=5&Itemid=32) ou os Troteiros de Bande.

Entrudos deturpados:
Foi sem dúbida algumha, o ailhamento de certas povoações um dos factores clave para a conservaçóm de muitos entruidos galegos, outro dos factores foi a vontade dos vizinhos por conservar o mesmo; mais o conceito de aldeia global, unido a despovoaçóm e o consumismo  do capitalismo de livre merca está a trocar as “antergas tradições” em meros productos turísticos  cada vez mais baleiros de conteúdo.
Os seguintes som simples exémplos do que está a acontecer por todo o país, neste caso o “triángulo mágico” começa a perder a sua magia:
-Laza: “¿se nom entendes a tradiçóm, pra que cona ves?” :
O que noutrora foi exemplo de conservaçóm; hoje já fica deturpado polas xentes que rogam “moderaçóm” numha festa que precisamente nom é moderada. Isto débe-se a que a xente que vai partilhar da festa; desconhece o seu funcionamento e nom gosta dos pontos mais significativos da mesma.
A noite da 6ª Feira em Laza a processióm dos fachões perde o seu sentido o ficar acesa a iluminaçóm pública.
O día da morena (na segunda feira); durante a farrapada já contamos ca despariçóm da figura do “Maragato” (Comerciante das zonas de Astorga) umha figura sucia que era a contraposiçóm do elegante Peliqueiro, e entre os “maragatos” estaba o “Albardeiro” portador dumha pesada albarda que ponhía azima dum dos participantes da Farrapada para que caira e fora o branco de todos os farrapos. Já entrados na tarde noite, e logo da baixada da “Morena” os Peliqueiros saem; mais a día de hoje começam a perder o seu papel de rei do Entruido, dado que a xente nega-lhes o paso, a orquestra começa a tocar quando eles ainda estám a choutar pela praça da Picota ou os que asistem a festa alporízam-se no caso de recibir um tralhaço dos Peliqueiros... mais “ se nom entendes a tradiçóm; ¿PRA QUE CONA VES?”

Verim: Os Cigarrões perdem a sua “coroa”
Ainda conservando a tradiçóm das fareladas (hoje já detrupadas pois bota-se farinha, que é alimento, no canto do farelo) Verim vai caminho de converter-se num carnaval mais.
Este velho entruido tinha como rei o Cigarróm que percorría todas as aldeas do concelho e de outros limítrofes em quadrilha tralhando em todos aqueles que se cruzaram no seu caminho (se nom te pos diante, o cigarróm nom bate). Hoje apenas persigue a algum neno pola vila e para abrir-se passo pide permiso. Dificilmente se lhe pode ver fora da capital municipal e a tralha vai mais de adorno que outra cousa.
O pior de todo é que encabezam um “desfile de carrozas” o mais puro estilo Rio de Janeiro (mais em versióm cutre) e logo tenhem que agardar para cruzar a rúa; quando o cigarrom debería ter o poder de parar o desfile pelo medio se tem vontade... que clase de rei do Entruido é este?

Xinço de Limia: ¿pantalhas? ¿onde?!
Andam medio desaparecidas num Entruido que semelha cada vez mais os carnavales de qualquer cidade espanhola, já nom saem em comitiva, nem obrigam a pagar vinhos... e mesmo as veces som obxectivo de burla, nom sem raçóm; nom é a primeira vez que vemos umha pantalha completamente peneque estombalhada no medio da rua. Triste destino para um icono da cultura galega.

Outras “cagadinhas” som a perda de capacidade de regueifar entre os Generais do Ulha, o uso de “espumilhom” de nadal pelas mázcaras de Cabeça de Mazeda (Manzaneda ainda para muitos) o usso de caroutas de personagems de filmes  nos Emascarados de Buxám; a incorporaçóm de bandeiras espanholas a modo de banda em danzantes da área de Trives, Felos de Gabarás d e Generais do Ulha; e sobre todo substituçóm da crítica os vecinhos e o concelho a través de comparsas sem ordear por um desfile de carrozas carentes de significado na maioría dos casos.

Os entrudos perdidos:
Nom vai sequera um século, prácticamente em cada recanto do país existía umha tradiçóm entruideira que co ir e devir do tempo foi perdendo folgos ou deturpandose ate a sua total desapariçóm.
Velaqui umha pequena escolma do muito que se perdeu e que se está a perder:
-As raposas
Personagens proprias das montanhas do Courel e áreas próximas a Lugo, que ataviadas com peles de Raposo e chocalhos iam pelas casas pedindo tanto em reises coma em entroido ca finalidade de fazer umha comida comunal.

-Os felos de Boborás:
Existiu um intento re recuperaçóm por parte do concelho; mais co troco de governo e a crise, estes iconos do entuido local, ca cara pintada, cobre-leitos velhos, chapeu enfeitado e vara longa coroada por um punhado de prantas verdes agonizam sem a subvençóm da que rucharam de novo.

-O entruido de Pedrazás (Chandrexa de Queixa)
Peliqueiros do Entrudo do Savinhão
Em Pedrazás existiram peliqueiros; mais nom coma os de Laza ou Sarreaus, se nom coma os do entruido Ribeirao.
Dentro do espectáculo que de por si, dam os peliqueiros, em Pedrazás saiam a correr a vila 2 peliqueiros singulares; Xan Corcovas e Xan Barrigas.
Xan Corcovas era um peliqueiro que tinha umha corcova (xoroba para os que traducem libremente, ou xiba para os da RAG q gostam de inventar “palavros”) feita de palha e tapada baixo o traxe. Pola outra banda estaba Xan Barrigas, que tinha um barrigom também de palha. Ambos eram inimigos assim que acordaram sair de cadaseu extremo da vila.
Mais Pedrazás tampouco era tam grande e mentras que eles iam zorregando na malta que nom vestía o entroido nom passaba rem, nom passaba até que topabam o um co outro... entom liabanse a paus entre eles, Xan Crocovas “aforracaba” o seu malho contra o barrigóm de Xan Barrigas, e este fazía o mesminho contra a corcova do outro até que um dos dous rendía-se ou perdía a palha que levabam... o espectáculo era criminal e mentras os vecinhos desde as janelas os acerretabam para q se malharam ainda mais, os outros aproveitabam para ir vestir o entroido e nom levar mais malheiras...

-Os Choqueiros
Choqueiro de Bezerreá
-NOM HÁ CHOQUEIRO SEM CHOCAS-
Som personagens comúns a grande parte da geografía galega, proprios das comarcas que vam desde Ancares até Trasancos e Ponte Vedra; emparentados com outras personagens coma os charrúas de Alhariz.
A personagem em si  nom tem umha vestimenta definida, mais sim um rol proprio; o de gastar bromas as mais das veces pesadas; na comarca de Bergantinhos mesmo existe o dito “ti es moi choqueiro” a aqueles que som bromistas. Viste qualquer cousa que atope pela casa e tapa o seu rostro com qualquer cousa para nom ser descuberto e sobre tudo leva chocas, de ahí o seu nome (Elemento común a todas as personagens do entruido) para avisar da sua presencia.
Na cidade da Crunha tiverom especial relevancia na Rua da Torre, mantendo ainda hoje em parte o nome, e nalguns casos ainda o rol de bromistas, ainda que as chocas desaparecerom; mais o derradeiro choqueiro propriamente dito, foi visto por última vez no entrudo de 1994. No ano 2010 o centro social Gomes Gaioso achegou umha palestra sobre o entrudo tradicional, com vistas a recuperaçóm do mesmo na cidade (http://agal-gz.org/blogues/index.php/csggaioso/2010/02/05/palestra-sobre-o-entruido-com-filhoas-entruido-tradicional-vs-carnaval-importado) mais nom foi ate este ano que a mesma equipa de “Desmontando a Roma” puxo-se como meta lanzar a proposta popular a través da rede:”Nom há Choqueiros sem chocas”(  http://www.facebook.com/groups/235081533239425/ ) para chamar a recuperaçóm e ofertar chocas em diversos locais da geografía galega onde houbo choqueiros.
Grazas a “Gentalha do Pichel”, e a “Xuntanza”  de Compostela, e “A Repichoca” e “O Patachim” na Crunha este ano voltaram a trotar os choqueiros de novo; E agardemos que a recuperaçóm se estenda por todo o país.

Mais pode que nom todas as máscaras se recuperem, e pode também que a sua memoria se perda para sempre nos tempos, assim por exemplo os Charruas de Alhariz forom-se sem vistas de voltar, os peliqueiros de Muinhos, os frandulheiros de Entrimo, a Mula e o Boi de Palacín, a Mula falsa de Castro Caldelas e o Irrio Peliqueiro que foi movido a outras datas polo cristianismo, a especie de cigarrom de Lobeira que a diferencia dos de verim tinha um sombreiro cónico... e assim um longo etc. do que em muitos casos nom queda sequera testemunho.
¿Seram os volantes do Entruido Ribeirao os seguintes? Quem sabe... nos recomendamos a sua visita do que se cadra pode ser o entruido mais inalterado de todo o país.
¿Que sentido teria o dia de manhá chamarlhe Entruido a algo que nom o é? Dizia o verso e nom sem raçóm : "quem esqueze a sua origem, perde a sua identidade"
Por isso e hoje mais que nunca “VIVA O ENTRUIDO GALEGO!


sábado, 11 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

QUE VIVA O ENTRUIDO!!!

Com certeza os e as leitoras de Desmontando a Roma estavam a perguntar-se porque caralho estando nestas datas pegamos no tema do Entroido/Antroido/Antrodio/Entrudo/ Entruido/Intrudio (que para abreviar chamaremos Entroido) e esqueceramos o Natal na Galiza. 


Podiamos falar de mil motivações para justificar nom ter feito um artigo dedicado ao Natal galego: que a tradiçom da noite de Natal é a cristianizaçom do solstício de inverno onde o menino substitui o sol que “renasce” para voltar a medrar ao longo do ano, e é comúm a toda a cultura Indo-europeia (Celtas e solstício, Hindu e a Mitra, Romanos e Saturnais); que si o Belém ou a árvore tenhem de antiguidade no nosso país nom mais de 100/150 anos (o desembarco vikingo de Catoira tem quase a mesma antiguidade, a metade mais ou menos) que o das 12 uvas é umha trapalhada espanhola de fai 2 dias  que despejou muitas tradições proprias... (Nas áreas perto de Ourense fazia-se um sorteio entre moços e moças para emparelha-los e nas montanhas próximas à Serra de Picos de Ancares existia umha espécie de ritual onde os velhos, dum lado, laiavam a morte do ano, e os novos doutro respostavam com muita seriedade aos que eram quem de aturar as risas, tudo isto na mais absoluta escuridom) que se o mercado, o consumismo, o “Corte Inglés” e a introduçom de “Papá Noël” desprezaram os nossos personagens históricos coma O Apalpador/Pandigueiro e que graças ao ineludível trabalho que jurdiu da Gentalha do pichel, hoje em dia, volta a descer das montanhas para visitar os meninos (tedes muita mais informaçom sobre eles no livro Teoria de Inverno os presentes do Apalpador que mesmo podedes adquirir pola rede no web do Imperdível).

Tambem dizer que a gente já nom decora as mesas com acivro, nem prende o lenho de natal, nem fai um oco na sua mesa para convidar a “Joám Fiz” (um velho de barba cumprida que durante o ano reside em Macão onde fez muitas riquezas e adquiriu a invisibilidade) para que este lhe apresente parte da sua imaterial riqueza, a de que os bons desejos sejam umha realidade... Sim, podiamos enredar com múltiplas motivações para nom fazer um artigo sobre o Natal; mas o único e verdadeiro motivo foi a criminal combinaçom de festa+Licor Café. 

E de vez... Chegou o Entruido: 

Nom é nada novo que a Igreja tentara cristianizar a nossa cultura o mais possível para que rematara diluindo-se dentro do dogma Cristão, também regimes ditatoriais coma o de Franco tentaram rematar com ele ou “mediterranizá-lo” fazendo que virara cara o conceito de “Carnaval” que conseguiu enraizar em muitas cidades galegas, e que pouco ou nada tem a ver com a nossa cultura; também, mais umha vez, o mercantilismo tentou (ajudado por Concelharias de in-cultura) reduzí-lo a meros bailes de máscaras.. Mas qualquer cousa tem o Entruido que além dos muitos avatares segue a perviver na Galiza dum jeito tam natural, que já quiseram muitos etnógrafos da Europa para o seu país.

O entruido na Galiza começa ao mudar de Ano:


Ora nos derradeiros minutos da noite velha ora nos primeiros minutos do novo ano o Entruido começa a correr por todo o país, desoouvindo aquelas palavras que vinham dos altos cargos da igreja já desde o século VII <...que ninguém ponha,nas calendas de Janeiro, máscara de Becerro ou de Cervo...> 
Na noite de fim de ano eram muitas as mulheres que rodeavam a sua casa botando presinhas de sal arredor dela, e dizendo aquilo de meigas fora; para rematar o ano e abrir o ciclo de entruido... 
Assim arrancam os primeiros foliões, que a igreja tentou reprimir, e que hoje manifestam-se como “Cantares de reis” ou mantenhem a sua hegemonia entruideira em lugares onde a igreja nom tivo tanto êxito coma na Retorta (Verím) com um foliom que dura 15 dias (do 1 ao 15 de Janeiro) e que tenhem a sua razom de ser em arrecadar para fazer comidas copiosas. 
A despedida do ano em forma de “burla dos novos” e “seriedade dos velhos em Bezerreá” é outra tradiçom entruideira assim como os sorteios de moços e moças nas primeiras horas de Ano novo para depois asistir obrigatoriamente a umha dança o dia seguinte, som parte do espírito choqueiro do Entruido. 
Na Lourenzá mesmamente existia a tradiçom do “Rei charlo” que consistia em caçar um carriço e ceivá-lo o dia de reis após ser passeado por toda a vila, escolhendo-se tras isto os alcaides; em Ponte Caldelas “renovavam” o “mordomo” escolhido a mão alzada entre todos, sendo éste encarregado de dar umha boa comilona a aqueles que o escolheram.
O mesmo dia 1 de Janeiro, em Laza, os novos começam a treinar choutando e dançando as chocas de peliqueiro ate o sábado anterior do domingo corredoiro para chegar prontos os dias grandes do entruido. O dia 5 de Janeiro sae o Zarramoncalheiro por Qualedro. Em Vilarinho de Conso saim os foliões todos os sábados e domingos desde o 15 deJaneiro ate o final do Entroido. “Polo Sam Antóm já sai o Cigarrom” (o 17 de Janeiro) 
...E assim um longuíssimo etcetera de tradições entruideiras e choqueiras que por muito que os Estados, Igrejas e Mercados tenham vontade de apagar, em pleno s.XXI a Galiza mais viva segue a festejar; por isso dizemos... 
QUE VIVA O ENTRUIDO!!!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Contra os sintomas da catarreira...

  • Lea as instrucções deste medicamento e, em caso de duvida consulte o "Sempre em Galiza"

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O ciclo de outono ou como confundir santos co magosto:

Umha das mais célebres citas de "Ramón Outeiro Pedraio" diz: "Poida que neste momento, nalgum recanto da Galiza esteja morrendo um velho que leva consigo para a tumba o eco lonxicuo dumha lenda, ou dum caudal de palavras sonoras e expresivas que já ninguém fará conhecer entre os vivos..."

Froito do desconhecimento e a falta de interesse no estudo etnográfico, as verbas de "Pedraio" estam a fazer-se realidade; as nossas tradições vam-se apagando coma umha candeia entre as pedras do que antes foi um cruzeiro...misturam-se e deturpam-se para nom voltar a ser o que eram, ou para perder-se na noite dos tempos.

Desde que Rafael López Loureiro, publicou o livro "Samaín, A festa das caliveras" no 2003 xurdiu por todo o país um acervo de recuperaçóm desconhecido ate o de agora, mais também umha cheia de detractores entre os que destaca Xosé Luis Mendez Ferrín que minusvalorando o trabalho de outra xente a prol do país soltou aquelo de "costume imposto polo imperialismo norte-americano, que se quere presentar como tradiçóm céltica galega como froito duma corrente ideológica celtista” se cadra, errado neste caso devido a sua constante chamada o anti-imperialismo, nom assim o celtismo, coma bem observamos nas suas obras da matéria de Bretanha.

Pero o que mais provocou é confusiom entre a o que era A véspera de todo-los santos e os Magostos/Magustos isto vem a causa, mais umha vez, do desconhecimento da povoaçóm em geral sobre o ciclo anual festivo da Galiza.

O ciclo anual festivo do nosso pais vai ligado intimamente o sol; do mesmo que a vida de qualquer galego, a carência de este, o tempo do frio e das chuvas seguem a limitar-nos do mesmo jeito que os nossos antergos (o orvalho segue a molhar-nos igual no inverno a todos e a chuva limita-nos a hora de fazer certas tarefas o ar livre) e no vrao realizam-se todo tipo de actividades colectivas... é esta a causa directa da recorrente representaçóm do sol por todas partes a jeito de trisqueis, rosáceas etc. Que segue a pervivir logo de miles de anos.

Assim deste jeito o nosso ciclo festivo está dividido segundo as estações do ano e como nom podia ser de outro jeito, vai intimamente ligada o calendário celta; e é justo neste ponto onde começa a confusom.

Umha mostra das fontes de estudo
dos pseudo-etnógrafos
A malta tende a seguir como base os calendários neo-paganistas (A roda do ano) elaborados a partir dumha mistura de antigos escritos irlandeses e galeses e umha grande quantidade de fantasia, sem ter em conta por exemplo o calendário de Coligny (para os que nom se enteram é o calendário dos galos; o calendário celta mais antigo) conservado numha placa de bronze. Este calendário galo divide o ano em fases lunares ou meses e buscando um pouco vemos como efetivamente começa polo Samonios e se cruzamos o mar ate Eire, vemos que tem o seu homólogo no Samhain. Os dous correspondem a um mês; e nom como erradamente teimamos em asignar a um día em concreto a causa de tratar de fazer um estudo pseudo-etnográfico tomando como base fricadas neo-paganistas. O que vem a ser o mês de Samonios Corresponde-se a Outubro/Novembro... de volta no nosso pais, temos estos dous meses co nome tradicional, e cada vez mais esquecido de “Outono” polo mês de Outubro, e “Santos” polo mês de Novembro.

Ora bem; somos conscientes de que neste mês existiam uns festejos celebrados polos celtas; que evidentemente nom coincidiam o 100% tanto em datas coma nas formas.

Segundo Françoise Le Roux e Christian J. Guyonvarc’h no seu livro “As Festas Celtas” tanto na Galia coma em Eire celebrava-se um grande festim a base de porco asado e froitos do bosque e grandes ingestas de alcohol, o que acudia moita gente entre eles guerreiros; sendo no caso de Eire celebrado na capital, que por aquel entonces era Tara.

Se temos em conta estos datos sacados diretamente dos escritos antigos irlandeses, temos que, curiosamente no nosso país corresponde-se diretamente o que moitos dim que era o festim de Samhain cas celebrações dos magustos onde o porco asado forma parte da festa junto cas castanhas (como froitos do bosque) e em menor medida as avelás hoje case extintas na festa; temos ademais que o de maior fama é o de Ourense (que foi capital da Galiza Sueva), celebrado o dia de Sam Martinho (data relacionada ca matança do porco) onde se celebra um grande festim a base de porco asado, froitos do bosque e grandes ingestas de alcohol; e onde ademais a gente tizna-se a cara co feluxe das fogueiras (ritual que algums etnógrafos relacionam co que pode ser umha forma residual de iniciamento dos guerreiros)

Logo; se o banquete de Samhain equivale os magustos galegos... ¿que caralho se celebra a véspera de todo-los santos?

Nem o Halloween nem o Samhain (por certo lese “Xauin”, nom “Samaín”)nem hóstias, o nome próprio é Véspera de defuntos ou de todo-los santos coma diriam os Suaves.
Na Galiza, para variar, abrazam-se culturas e símbolos alheios mentras o próprio é esquecido, deturpado e insultado.

-A Festa em sí:
A Véspera de defuntos é a fim do vrao, fim de ano celta, começo do frio (de santos a nadal inverno natural) época na que o além está mais em contacto co mundo dos vivos. Na Galiza a ceia da Véspera era feita em família e deixava-se um assento baleiro co seu talher (jogo de cubertos) para o último finado da família, ponhendo-se os familiares deacordo para ver em que casa ceava. Logo da cea os mais velhos contavam lendas com transfundo de terror a beira do lume para os mais pequenos, mentras os homes se tomavam umhas copas casa do vecinho, onde este era convidado. Era nesse período de tempo cando a mocidade colocabam as cabazas ou cala-cús (e nalguns casos as cachuchas de animais mortos como pode ser a área do Pico Sacro) com candeias nas cancelas destes que a volta teriam que retirar no seu estado embriagado se queriam voltar a seguridade da casa. Assim pois todos rematavam por ser parte da festa.

Comentava fai tempo o que era bispo de Mondonhedo que: “Constou-nos pola visita que o Dia de Todo-los Santos e o dia seguinte de defuntos andam todo-los moços da freguesia a pedir polas portas e dam-lhes pam e carne e vinho e freixós e pixóns e outras cousas, e que pedem assim os filhos dos ricos que os pobres; e por ser máis este rito gentil que cristiam, ordenamos e mandamos que, de aqui em adiante, nenhum moço vaia aqueles dous dias de porta em porta a pedir senón que o beneficiado, o reitor e o primiclero e outro que nomeare a frigresía pidan aquel pam e todo o demáis que lhes derem o repartam na igreja o dia dos finados entre os pobres e necessitados, so pena que o pai ou a mãe que enviaram ó seu filho a pedir aqueles dias pague mil maravedis (…)”.

Resulta mais que curioso que Durante o Mês de Samonios, na Galia os druidas adicabam umha noite a recolectar comida (os que nom aportavam podiam cair em maleficio), para o dia do grande banquete; e dado que o faziam pola noite, usavam para isso uns candis feitos a base de nabos ou nabizas baleiradas ca fim de alumear-se (reprentando estes candís o espírito do deus “Sam-an”); cousa que também ocorre na lenda irlandesa de Jack que deu origem o Halloween americano, e o que é mais curioso ainda; já que na comarca mindoniense, entre outras, Tamen eram baleiradas as nabiças para fazer de candil cum motivo semelhante... existe ademais um retrouço galego que ainda pode arrojar mais luz a este caso:

"Do nabo sai a nabiça 
da nabiça sai o grelo. 
Nabo, nabiça e mais grelo 
trindade do galego. 
Som três persoas distintas 
um só Deus verdadeiro" 

E também este outro dito:

Polo tempo de tódo-los Santos mira os nabos; se fossem bos, diz que som maus. 

Por desgraça o nabo foi substituído nesta festa pola cabaça na Galiza, do mesmo jeito que aconteceu ca chegada da tradiçóm os USA.

E falando dos USA, dá-se o caso de que Hoje em dia os mesmos ”comprometidíssimos” que berraram os Yankies “no a la guerra” saem a rua a maçar-se de cubatas disfarçados do “Joker” de batman ou de “arlequim sinistro” ou todos flipados vestidos do “Corvo” sen saber que emulam os pedófilos, ladrões e violadores dos USA que escolhiam esse dia para levar as suas barbariadades a cabo baixo um disfraz que lhe proporcionasse o anonimato e aproveitando as geiras dos cativos polas ruas, dando depasso folgos as multinacionais que vendem toda a trapalhada que rodeia a imitación cutre que se impranta aqui..E namentras, algumhas autoridades e colectivos malinterpretam um Samhain irlandês (Que nom véspera de defuntos galega) mesturadoo co magosto, mudando-lhe simplesmente o nome o hallowen ou celebrando umha festa valeira de qualquer conteúdo proprio...

Ca fim de “Desmontar a Roma” actual, neste caso personificada nos USA queremos deixar algumhas aclarações sobre como se celebra tradicionalmente a véspera de tódolos santos e o Magosto, assim como dar um bocado de ideias para encher de conteúdo próprio estas duas datas:

O Magosto ou Magusto:

- No dia do Magosto elaboravam-se umha figura com polas de castinheiro que representava “O Magosto” , e que presidia o lume onde se asaba a carne.
-As castanhas no Magosto: É o elemento central da festa, por cada umha que se come, disse que se está a salvar umha ialma, ademais som empregadas para fazer colares.
-As castanhas nom era os únicos “froito da festa” também as avelás e noces formam parte da mesma.
-O magusto é também época de carne de porco, “a todo porquinho chega-lhe o Samartinho” onde acumulava-se graxa para o frio inverno que chegava...
-O feito de tiznarse a cara com feluxe é prova de que a gente assistiu a um magosto de verdade.

Véspera de todo-los santos ou de defuntos: 

-A Cabaça ou calacús: representa um elemento herdado da tradiçom céltiga, de olhos redondos e ca boca sempre seria ou descontenta (nunca sorrindo coma si se fai no hallowen dos USA) e os dentes feitos com polas de árvore (semelhante a da “afoto”) as vezes secava-se a cabaça e gardava-se coma mascara para o entroido.
-Os candis de nabos podem ser recuperados se saimos a dar um passeio nocturno polas congostras ate algum cruzeiro para deixar ali umha candeia, recuperando assim o costume do cruzeiro na encruzilhada com candeias a véspera de todo-los santos (alem de que a igreja trata-se de cristianizar umha tradiçóm baixo o nome de todo-los santos e ca cruz na encruzilhada)
-As Lendas o carom do lume: representam a posta em marcha do escenario do medo e dos sucessos estranhos; dentro do lendário popular galego existem infinitas posibilidades coma a santa companha, os mouros dos castros e dólmenes, o urco e o seu can as premonições de morte, as visitas dos velhos já defuntos, as aparições nos carreiros de antigos amigos que se davam por mortos, os lobos, a meiga chuchona ... (das que por certo o audiovisual galego nom tirou nenhuma producçom para estas datas; nom está demais ponher a peli de Romasanta ou leer algum relato dos de Anxel Fole para aqueles que nom podam gozar da festa na aldeia)
-A queimada: Este dia sem dúvida pode ser o melhor para partilhar de umha boa queimada e ajudar assim a quecer na noite os convidados mentres os cativos ponhem os calacús nas cancelas dos convidados.

Assim pois cando celebramos as nossas festas do “mês de Outono e de Santos” estamos a celebrar o Samhain ou Samonios galego tanto na véspera de todo-los Santos como no Magosto/Magusto como parte de esse ciclo festivo de outono que é próprio do país sem necessidade nenhuma de importar nada alheio...

A cita de "Ramón Outeiro Pedraio" da que falamos o primeiro, continua dizindo “...poida que noutro recanto da Galiza naza a estas horas o home ou a ideia que transformará em novo e profundo sentido o ritmo da história” de nos depende fazer que só a primeira parte da cita nom seja umha realidade...

sábado, 22 de outubro de 2011

Galaicos que querem ser flamencos...


Por algumha estanha raçóm, os galegos tenhem umha espécie de necessidade de imitar culturas ou povoações do sul, especialmente do Mediterrâneo, trasladando a sua falta de autoestima e complexo de inferioridade o seu jeito de viver, de pensar, de relacionar-se cos demais e incluso de manifestar-se artística e culturalmente.

Isto vem traduzindo-se numha chea de trapalhadas que van desde palmas nos parques até um cento de escolas de dança ofertando baile Flamenco... incluso este estranho síndrome chega a ser prejudicial para a saúde quando nessa teima de semelhar o que nom som, contraem cancro de pele por excesso de bronzeado... Como diria o senhor Antom de Cabanas Antigas "coidade a sauuuude".

Ninguém precisa nem um bocado de sul... NOM PERDAS O NORTE!